José vivia numa pequena aldeia, na encosta de um monte, perto de um belo campo de laranjeiros. José era bom aluno, tinha olhos da cor da terra e gostava muito de brincar. Passear pelo campo e jogar à bola eram as suas brincadeiras preferidas.
Num dia de primavera, o José e o pai foram passear no campo de laranjeiras. Era sábado, não havia escola e o sol já estava no céu. Das flores das laranjeiras vinha um perfume doce, trazido por um vento sossegado. Tudo estava bonito…
A dada altura, José disse ao pai.
- Pai, que dia tão bonito! Vamos fazer uma corrida? Olhe, quem chegar primeiro àquela laranjeira, perto daquela parede com muito musgo, ganha. Está bem, pai?
A este pedido do filho, o pai concordou, e José ficou muito contente.
Já preparados para começar, o José acrescentou:
-Pai, vou contar a até 3, depois começamos.
- Está bem, - disse o pai.
-1,2,3… vamos…
A corrida começa e o José iniciou logo na frente. Lá do alto, dois passarinhos estavam a ver tudo. Correram, correram, e foi com muita facilidade que o pequeno rapaz ganhou a corrida. O pai corria pouco…
Quando cortava a meta em primeiro, José já sorria muito satisfeito. Depois, levantou os braços, saltou, saltou e gritou bem alto:
- Ganhei! Sou o maior.
Passado um minuto, o pai sempre chegou, um pouco cansado, e disse-lhe:
-Parabéns, meu filho. Tu corres muito. És um verdadeiro campeão. Mereces um prémio.
Quando o pai felicitava o filho pela sua vitória, do meio do campo das laranjeiras, apareceu um pequeno cão, que logo se dirigiu para o José. Este, com um ar de admiração, deixou que o animal se aproximasse. Depois começou a fazer-lhe festinhas, e o cão parecia gostar. De seguida, um pouco agitado, o rapaz começou a fazer perguntas ao pai:
- Pai, de quem é este cãozinho tão fofinho? Como veio parar aqui? Posso ficar com ele? Qual será o seu nome?
Ao ver o seu filho tão contente, o pai respondeu:
-José, este cão é filho daquela cadela castanha do Sr. Camilo, aquele nosso vizinho que escreve livros, e que mora naquela casa grande. Sabes quem é?
- Sei, meu pai? É aquele senhor de bigode, muito simpático!
-É esse mesmo, - continuou o pai – como sabia que tu ias gostar, e como a sua cadelinha teve vários filhos, eu pedi-lhe este para ti. Achas bem? Então, não dizes nada?
- Pai, obrigado! Olha como ele quer brincar comigo. Que bonito! Obrigado, obrigado, pai!
O José estava tão contente que não se cansava de acariciar o pequeno animal.
- Muito bem, agora o cão é teu. Ainda não tem nome. Tu é que deves dar um nome ao bichinho.
Sem dizer nada, o José fez mais umas festinhas ao cão, enquanto este abanava a cauda, não tirando os seus olhinhos da cara do rapaz. Depois, os dois começaram a correr e a brincar.
Passado algum tempo, José, com o cão nos braços, aproximou-se do pai e afirmou:
- Pai, já sei que nome lhe vou dar. Vou chamar-lhe Brincalhão. O cão brincalhão. Está bem?
Muito bem, filho. Bonito nome. Brincalhão. O cão brincalhão.
A partir deste dia, José e o cão brincalhão tornaram-se grandes amigos…
Carlos Afonso